Domingo, Outubro 04, 2009

Conflitos, sempre eles

É engraçado quando você percebe que situações que uma vez foram absolutamente divertidas perdem o sentido com o tempo. É aquela coisa de estar no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, sob a mesmíssima atmosfera, e nada funcionar.

Não acho que isso seja efeito daquela máxima universal que diz que tudo que é demais enjoa. Não mesmo. Intensidade não tem relação com desgaste. Acho que é porque a gente cresce, mesmo.

Mas não tenho certeza.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Em branco

Na palavra escrita, pelo menos, a gente é rei.

Enquanto houver essa compensação, muita infelicidade será evitada. Porque, no fundo, bons escritores não são nada mais do que pessoas frustradas que, como muitas outras, deixaram-se seduzir pela irrealidade deliciosa das letras, em que qualquer um manda e desmanda; faz e desfaz.

Na palavra escrita, pelo menos, sempre dá para recomeçar - sem marcas.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Recorrências

Criar e recriar situações vividas em um passado do qual não nos conformamos é um passatempo que mata, embora esteja entre os meus preferidos. ‘E se...’ é um veneno poderoso na desfiguração da realidade, sobretudo quando usado para tentar contornar frustrações. Prerrogativas hipotéticas não são boas, e de fato não mudam absolutamente nada – não reescrevem o passado, não ajudam o presente e, principalmente, não sinalizam o futuro.

A decepção, porém, não é a cereja do bolo. O mal resolvido é pior. Antes ter certeza de que o episódio acabou – ainda que de maneira infeliz – do que o ponto final nunca vir. Neste caso, mais do que nunca a ilusão reina; e cria ligações entre passado, presente e futuro. Em outras palavras: o inacabado abre espaço para diversas interpretações fantasiosas, e torna o passado mais presente. Afinal, se os dados ainda estão rolando – e assim se manterão para sempre –, por que não acreditar que aquilo ainda pode, de alguma forma, emergir em um determinado tempo e espaço futuro?

De tempos em tempos, esses sentimentos nos consomem – porque, em suma, o ser humano é nostálgico. E a saudade é uma merda.

Domingo, Maio 10, 2009

Oasis: fórmulas, chuva e rock’n’roll de 1ª

É difícil você escrever sobre a banda da sua vida com imparcialidade. Não é impossível, mas requer um certo desapego que poucos conseguem ter. Por isso, não me candidatei para a cobertura do show do Oasis, ontem, em São Paulo, no jornal em que trabalho. Queria apenas curtir a apresentação daquela banda que, há três anos, mantém o título de melhor live act que eu já assisti. Depois do (puta) show, confesso que meus dedos coçavam para redigir o texto, contar para todo mundo o que vi, pensar num título, abertura e encerramento a altura para a reportagem... mas apenas dei uns toques para a repórter que estava com essa deliciosa tarefa. E não foi o bastante, me rendo. Preciso falar mais. A seguir, meu testemunho:

Liam, sempre f***. Foto: G1

Um show de rock pode ser um tanto previsível. Alguns artistas se recusam a mudar o repertório e todas as noites mostram as mesmas músicas, na mesma ordem, com a mesma duração. É o caso do Oasis, uma das bandas mais amadas e odiadas da história da música. Os irmãos Gallagher – que uma vez já disseram serem maiores que os Beatles – costumam repetir a dose por meses. Para alguns conjuntos, isso não funciona e os shows se tornam cansativos; para o grupo de Manchester, ocorre o inverso: o set list sob medida parece ter alcançado a equação perfeita para uma noite de rock’n’roll e a fórmula não se desgasta. Foi assim ontem, no Anhembi, para mais de 30 mil pessoas.

(Quase) Todos os clássicos estavam lá – de Rock’n’Roll Star, do primeiro e aclamado disco, Definitely Maybe (1994), a Lyla, do penúltimo álbum, Don’t Believe The Truth (2005). Todas as boas músicas do novo CD, Dig Out Your Soul (2008), também. Se Liam Gallagher não é um grande vocalista ao vivo, suas falhas são compensadas pela presença de palco que falta a muitas “maior promessa da última semana” que surgem constantemente na cena roqueira britânica.

E os fãs brasileiros – que o vocalista diz serem os melhores, apesar de não estarem tão animados naquela noite de chuva – estão entre os poucos que quebram a impassividade do Gallagher caçula diante das multidões. Foi assim nas últimas duas passagens do Oasis pelo País, e ontem não poderia ter sido diferente. Nas palavras de Liam: “vocês foram incríveis, como sempre”. Nada mal para o mal criado do rock, que contou recentemente que não fala mais com seu irmão Noel (“só o necessário”).

O Gallagher mais velho também dá seu show à parte – seja em uma improvisação nas guitarras durante os minutos finais de I Am The Walrus, para fechar o show, ou mandando beijo para a fã da primeira fila. Houve também uma discussão com alguém que jogava algo no palco, e o guitarrista chegou a ameaçar parar o show. Mas passados alguns minutos (e cessado os ataques), o clima voltou ao normal.

Não havia uma grande produção. A apresentação do Oasis ocorre sob um fundo preto, que algumas vezes ganha um jogo de luzes mais elaborado e telões. Mas com um repertório que já vendeu 50 milhões de discos e execução quase perfeita, o grupo garante o valor do ingresso.

E se alguns conjuntos se negam a tocar as músicas lhe deram fama, no Oasis isso não existe. Você pode esperar que Wonderwall, Champagne Supernova e Don’t Look Back In Anger estarão lá, em todas as turnês – em versões cada vez melhores.

O único ponto negativo do set list (e talvez do show) foi a exclusão de Live Forever, provavelmente o segundo maior hit da banda. Numa noite em que Liam não se cansava de elogiar o público, se a chuva não tivesse castigado tanto poderia haver espaço (e energia) para pedir a música mais vezes entre os intervalos da apresentação. No Japão isso funcionou. Aqui, alguns tentavam gritar alguns versos do clássico, mas logo paravam. Em 2006, penúltimo show em São Paulo, de tanto que pediram Supersonic, a canção foi incluída no bis. De qualquer forma, ontem era visível que Noel notava o pedido, mas seguia o script. Afinal, o jogo já estava ganho.

Ao final, os irmãos Gallagher deixaram (separadamente) o palco aplaudindo os fãs. Algo inimaginável para um dos grupos mais egocêntricos e megalomaníacos do rock, que durante a década de 1990 não se cansavam de repetir que não davam a mínima para ninguém. Hoje, os exageros foram deixados de lado e música está em primeiro plano para o Oasis. Amém.


Sexta-feira, Novembro 14, 2008

Aos leitores

Mudei de blog. Este aqui continuará, como um registro pessoal e tal, e às vezes posso publicar algumas divagações que não cabem lá. Mas, para quem quiser me acompanhar diariamente no novo projeto - porque lá tem texto todo santo dia -, anote aí:

http://www.fechaaspas.com/

E obrigado por dois anos de acessos, duzentos mil comentários, duzentas mil recomendações... :)

Sábado, Outubro 25, 2008

Verdades de granito

Você sabe que se tornou adulto quando descobre o que significa cheque especial, pagamento mínimo e crédito rotativo; quando vai sozinho ao médico e não tem ninguém para decifrar o que está escrito na sua receita; quando aprende que não se pode misturar destilados; quando descobre que o que difere uma pessoa boa de uma ruim é o tamanho de seu ego; quando não pode dizer a verdade para evitar futuros problemas; quando calcula quanto sobrará na sua conta além do próximo fim de semana; quando conhece alguém legal e não deixa ir além porque aprendeu que nada que começa numa noite de sábado é para sempre; quando tem uma agenda cheia de nomes e sabe que ninguém ali pode te ajudar na segunda-feira; quando se acostuma a acordar cedo e não consegue dormir até tarde no fim de semana; quando discute com gerente de banco por causa de alguns reais; quando se dá conta que a música da sua vida nem é tão genial e muitas pessoas fizeram canções melhores; quando suas noitadas viram rotina e aquilo tudo não te empolga mais; quando você realmente quer acreditar quando seus pais dizem que tal coisa dará certo, mas já aprendeu que papai não tem superpoderes e sua retórica nem sempre é o melhor dos conselhos.


Você sabe que é adulto quando olha pra trás e percebe que envelheceu dez anos em dez meses.

Sábado, Agosto 16, 2008

'Um verdadeiro Rebelde vai lutar até o fim'

Inconformados com o anúncio do fim da banda mexicana RBD, os fãs brasileiros estão organizando de passeatas a correntes de oração para tentar evitar a separação dos seis cantores. No orkut, além das milhares de mensagens de luto colocadas nos perfis dos fãs da banda, até depoimentos de pais podem ser vistos nas incontáveis comunidades dedicadas ao grupo no site de relacionamentos.

"Tenho 38 anos e minha filha é super fã do RBD. A banda entrou em nossas vidas. Não importa o que aconteça daqui para frente, o que o RBD conquistou em nossos corações nem o tempo, nem ninguem jamais apagará. Um verdadeiro Rebelde vai lutar até o fim", dizia o relato de um pai, em uma comunidade de quase 300 mil fãs.

No YouTube, vídeos conclamando "passeatas mundiais" foram postados. Neste sábado, surgiu a notícia - ainda não confirmada - de que dois fãs do grupo se suicidaram no México.

Para quem diz que a juventude brasileira é alienada e não luta por nada, aí está a prova do contrário. Jamais subestime o poder dos fenômenos culturais do México - de RBD a Maria do Bairro, eles despertaram mais paixão entre os adolescentes do Brasil do que qualquer temporada de Malhação ou banda made in MTV jamais conseguiu.

Aos fãs dos Rebeldes

Em São Paulo, a passeata acontece no dia 23, às 15 horas, em frente ao MASP, na Avenida Paulista. Para o Rio, Brasília, Curitiba e outras capitais brasileiras também estão programadas manifestações. No México, o protesto promete passar pela Cidade do México e Monterrey.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Save your pennies

Com R$ 5 mil você pode comprar uma jaquetinha da Dolce & Gabbana no Shopping Iguatemi, ou pagar um salário mínimo para um empregado durante um ano inteiro. A peça, destaca a vendedora da famosa grife italiana, pode ser parcelada em até dez vezes no cartão. Ufa!

Se você estiver podendo gastar um pouco mais, com R$ 30 mil leva um pingente de ouro na Tiffany & Co. do mesmo shopping. É um dos artigos mais baratos da única filial brasileira da joalheria imortalizada no clássico Breakfast at Tiffany's (Bonequinha de Luxo, de 1961, com Audrey Hepburn). A mesma quantia também pode pagar oito horas diárias de serviço do quase-jornalista que escreveu esse post por quase três anos.

Se já tiver conseguido alguns milhões e quiser fazer uma festa com direito a paparazzis na porta e gente se estapeando para entrar, pode chamar Madonna para cantar até três músicas no seu evento por US$ 2 milhões. Mas, como nem todos podem gastar tanto, com menos da metade desse valor a princesinha do pop Britney Spears pode dar o ar da graça em sua comemoração. Os empresários ressaltam que a quantia paga apenas o cachê - se quiser garantir a presença das popstars, é bom se preparar para arcar com as despesas de transporte e hospedagem. Lembrando que Britney e Madonna não saem de Beverly Hills e Londres para dormir em um hotel da rede Hilton, nem viajam de American Airlines.

Agora, se realmente já estiver atingido status quo, pode comprar a primeira foto dos gêmeos de Brad Pitt e Angelina Jolie. Por US$ 11 milhões, você coloca Vivienne Marcheline e Knox Leon na capa de sua revista e consegue um furo mundial. Para editores que sempre sonharam em poder usar o chapéu 'WORLD EXCLUSIVE' na primeira página, eis a grande chance.

E para aqueles que leram isso tudo sem pagar nada, ganham pouco, trabalham muito e estão sempre inconformados com a desigualdade mundial, Madonna deixa um recado: 'cause the boy with the cold hard cash is always Mister Right'. Sempre sábia.